Sábado, 19 de Julho de 2008

Miran

Miran

Todo dia é dia de candidato Laranja!


Elliott Erwitt


Década de 50, EUA

Ladrões....


Brasiu dantesco...


Blog do Josias
Antes de deixar o caso, Protógenes indicia D.Dantas
Prestes a cruzar a porta de saída do inquérito da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz indiciou Daniel Dantas e nove diretores do Opportunity.

Deu-se nesta sexta (18), depois da inquirição dos suspeitos, em São Paulo. Foram acusados de gestão fraudulenta e formação de quadrilha.
Durante a inquirição, que durou cerca de seis horas, Dantas e os outros acusados esquivaram-se de responder às perguntas do delegado.
Em documento que fez questão de entregar a Protógenes, o advogado Nélio Machado justificou o silêncio de seus clientes: Alega que o inquérito está apinhado de "vícios insuperáveis."
Fez menção a "fatos estranhos, inusitados e irregulares que permeiam a investigação" desde fevereiro de 2007.
Realçou os vazamentos –“abusivos" e "ilícitos", segundo ele. De resto, alegou “intolerável” cerceamento à sua própria atividade.
"O exercício da profissão [do advogado] está sendo violado", escreveu Nélio Machado.

O indiciamento dos suspeitos é o derradeiro passo da primeira fase da investigação. O gesto indica que, na visão do delegado, carrearam-se para as páginas do inquérito indícios de materialidade dos crimes.
Depois dos indiciamentos, Protógenes entregou o seu relatório Fechou-o, segundo disse, para cumprir determinação de Lula e em respeito à orientação de seus superiores.
Curiosamente, a despeito do relatório extemporâneo do delegado, que agora deixa o caso, a encrenca está apenas começando. E está longe de terminar.
Há na sede paulista da PF quase meia tonelada de papéis e equipamentos apreendidos nas batidas de busca e apreensão realizadas há duas semanas.
É daí que o Ministério Público espera extrair elementos para reforçar os indícios esboçados nos grampos telefônicos.
Escrito por Josias de Souza às 21h13

...


No PÁ-rana


Do Blog do Fabio campana

Barbárie contra quilombolas em Dr. Ulysses

Dr. Ulysses, distante 96 km de Curitiba, foi cenário esta noite de barbárie cometida por jagunços em comunidade de quilombolas. Eles invadiram o povoado de Quilombo do Varjeão, queimaram casas e ameaçaram os moradores.
Há interesses de empresas que exploram reflorestamento de pinus na área. os líderes do Quilombo suspeitam de conivência da Polícia Militar com as milicias privadas que procuram expulsar os quilombolas.

Nos (des) classificados


Betulas


Poesia enviada pela Adelina. Adelina foi minha aluna no Curso de Ciências Biológicas. Ontem nos encontramos e ela me disse que tem lido poesia, sobretudo, de Pablo Neruda. Esses encontros me deixam bem. Fico feliz que uma bióloga goste de poesia.


A pele da bétula

Pablo Neruda
COMO UMA pele de bétula
És prateada e perfumada:
Tenho que contar com teus olhos
Ao descrever a primavera.

Mesmo não sabendo o teu nome
Não há primeiro tomo sem mulher:
Os livros se escrevem com beijos
(e eu lhes rogo que se calem
para que se aproxime a chuva).

Quero dizer que entre dois mares
A minha altura pendurou-se
Como uma bandeira abatida.
E por minha amada sem olhar
Estou disposto até a morrer
Embora se atribua minha morte
Ao meu deficiente organismo
E à tristeza desnecessária
Depositada nos roupeiros.
O certo é que o tempo se escapa
E com voz de viúva me chama
Desde estes bosques esquecidos.

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Candidato Laranja com ficha suja

Etanóis! No Laranjal dos políticos ficha sujas.

e no Brasiu...


Uau!


Curso


Dia 8 de agosto, sexta-feira, promoveremos o Curso de Introdução à Semiótica de Peirce. São 8 horas, manhã e tarde. Inscrições a partir de segunda-feira no Mestrado em Educação para as Ciências e Matemática, Universidade Estadual de Maringá, Bloco F-67, térreo. Fone: 3261-4827, com Tânia. Ministrante: na foto, José de Arimathéia

Brasiu dantesco...


e o telefone do Gilmar Mendes


Algemas dos chiques


Poizé!


La Monroe


Foto de Elliott Erwitt, década de 40

Piskaryov

Foto de Piskaryov

À margem do corpo


Denise, do belo Blog Sindrome de Estocolmo comenta o filme sobre Deuseli

Anis - Imagens Livres - http://www.anis.org.br/
Ficha técnica: Direção Debora Diniz Etnografia Debora Diniz Roteiro Etnográfico Debora Diniz e Ramon Navarro Direção de Produç…all » A história se passa no interior de Goiás, entre os anos de 1996 e 1998. Deuseli tinha 19 anos quando foi brutalmente estuprada. Impedida de realizar o aborto, encerra o primeiro ato da narrativa desaparecendo da cidade onde vivia.
Meses depois, é protagonista de outro crime, só que agora como assassina da filha de 11 meses. Em um ritual, para alguns histérico, para outros satânico, Deuseli reproduz a cena do estupro e afoga a filha em uma banheira.
Ela morre meses depois de causa desconhecida. Entre o estupro, o assassinato e a morte, a vida de Deuseli foi recontada por advogados, médicos e exorcistas.
Ficha técnica: Direção Debora Diniz Etnografia Debora Diniz Roteiro Etnográfico Debora Diniz e Ramon Navarro Direção de Produção Fabiana Paranhos Produção em Campo David Chalub Edição e Direção de Arte Ramon Navarro Finalização Ramon Abreu.

Etanóis!

Fazendo o quentão em casa.... na festa Graça, Rodrigo e Gustavo.

Etanóis!

Na festa Junina aqui em casa.... Rodrigo e eu.

Debate



Centrais sindicais denunciam controle paralelo das cidades
Sexta-feira, 18 de Julho de 2008
O programa Fórum Social da TV Educativa reuniu as centrais sindicais para tratar das eleições deste ano. Participaram do debate Sérgio Athay, da CUT, Carlos Zimmer, do CET, Geraldo Serathiuk e Cid Cordeiro do Diesse.
Denunciaram o “controle paralelo” das cidades e das Câmaras Municipais pelos lobbys das empreiteiras e imobiliárias sobre o plano diretor e de urbanismo, pelo lobby do transporte coletivo, das empresas da coleta do lixo, dos bancos privados sobre os fundos de previdência, das empresas de concursos frios, das empresas sobre o controle do sistema de licitação de compra de produtos e serviços e pelo lobby que impede o funcionamento da vigilância sanitária, do trabalho e ambiental.
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Comentário: na Má-ringa o controle paralelo das empreteiras e imobiliárias dançou e dança sobre o cadáver do plano diretor da cidade. Transporte coletivo? Isso nem se fala. É TCCC na cabeça, ou melhor, no pescoço dos usuários.

Meu sertão...

Desenho: Miro DO BLOG do Balestra, sua linda homenagem a João Guimarães Rosa.
Nada é superior à vida! - bem o diz Riobaldo.
“A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação – porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada.”
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Comentário: Acredito que só a literatura, a poesia nos devolve a humanidade. Aprendi a ler o Rosa com meu professor de literatura "seo" Vitor, em Porto Ferreira. Era um professor pacato, sonhador, tímido. Mas, quando falava em Rosa seu rosto se iluminava. Morando em Porto Ferreira, SP, pude conhecer o sertão. Mais tarde, em Ribeirão Preto, conheci um outro sertão. Aquele interior. Sertão de dentro. Dentro com suas veredas. Pelas mãos de outro professor, o Tarso. Saudades do sertão. O meu.

Sugestão para santinhos...

... dos políticos.

Amar é....


Síndrome de políticos?


Adultos não conseguem amadurecer e querem continuar sendo crianças
Joan Carles Ambrojo, El País,Fonte: UOL
Alguns adultos estancaram no caminho para a maturidade, do mesmo modo que encontramos adolescentes que demoram a assumir a independência. Com freqüência se vêem referências a essas pessoas como afetadas por uma síndrome ou um complexo de Peter Pan. Segundo especialistas, não existe essa síndrome. O que acontece é que as mudanças sociais e familiares das últimas décadas aumentaram o infantilismo de alguns adultos, que cresceram sem ter o referencial dos pais. Encontramos na vida real muitos Homer Simpson, adultos que têm dificuldade para crescer e amadurecer emocionalmente? O que acontece com alguns jovens que se instalam em uma eterna adolescência, negando-se a assumir as responsabilidades e tomar as rédeas de sua vida?
Renunciar a ser adulto e instalar-se na imaturidade como tentativa de permanecer na eterna juventude é o que caracteriza as pessoas que se regem pelo que é popularmente conhecido como complexo de Peter Pan. Os especialistas, no entanto, não admitem a existência desse suposto transtorno, que de fato não aparece na lista do DSM-IV, o manual de diagnóstico de transtornos mentais da Associação Psiquiátrica Americana, que é utilizado como manual de referência em todo o mundo.A popularização da suposta síndrome se deve em boa medida a Dan Kiley, o psicólogo americano que publicou em 1983 o livro "A Síndrome de Peter Pan" - a pessoa que nunca cresce, baseada no personagem da obra do britânico James Matthew Barrie, editada em 1904. Mais tarde, Kiley complementou o tema com a publicação de "O Dilema de Wendy", no qual trata das mulheres que protegem indevidamente os homens como se fossem suas mães e assumem suas responsabilidades. É um estilo de vida que continua tendo seus adeptos.
Nos EUA batizaram os jovens que demoram a amadurecer de Geração Odisséia, segundo William Galston, pesquisador do Instituto Brookings.Sabel Gabaldón Fraile, psiquiatra do Hospital de Sant Joan de Déu de Barcelona, é definitivo: "Não está tipificada como síndrome. Não é nada mais que um fenômeno social, a dificuldade de crescer". Gabaldón opina que o "peterpanismo" é apenas uma tentativa de alguns profissionais de buscar artifícios literários.
Forma de vida adolescente
Segundo explica o especialista, o conceito abrange uma série de comportamentos que podem ser muito comuns em determinados adultos de nossa cultura e nosso ambiente, e que "têm a ver exatamente com a atitude também cultural de infantilização, de extrema dependência, que muitas vezes adotamos em várias famílias, ou inclusive da própria cultura em relação às crianças e adolescentes, de poupá-los de frustrações, protegê-los excessivamente. Isso gera situações de prolongamento excessivo da adolescência e de comportamentos imaturos que ocorrem inclusive na idade adulta".Outros autores pensam de forma diferente. Para a psiquiatra Graciela Moreschi, o eterno adolescente é alguém para quem a adolescência é uma forma de vida, e não uma etapa evolutiva: "Isso significa que a independência não é uma meta". Segundo Moreschi, que publicou um livro de divulgação sobre esse fenômeno, com essas atitudes essas pessoas têm como prioridade desfrutar o momento. Se ganham dinheiro o utilizam em saídas, em roupas caras, um automóvel, uma moto ou viagens, e se não ganham continuam dependendo de seus pais. "Muitas vezes o estudo é o passaporte que lhes permite ficar instalados na adolescência, porque não terminaram a carreira, ou porque passam de uma para outra. Eles demoram para assumir qualquer tipo de compromisso porque não podem escolher algo permanente, inclusive ter um parceiro. A grande quantidade de opções que têm lhes causa dificuldade para escolher, porque ao fazê-lo renunciam às outras possibilidades", diz Moreschi. São comportamentos cristalizados em um momento da vida, continua a psiquiatra, e, portanto, em vez de evoluir essas pessoas se desgastam. "Muitos dos pais desses adolescentes estão do mesmo lado, não há diferenças, e os jovens não terminam de se individualizar como indivíduos maduros; não existe um outro que lhes permita realizar esse processo." A diferença entre os eternos adolescentes e os adultos ainda com atitudes imaturas é que estes cuidam de si mesmos, enquanto os eternos adolescentes não foram capazes de separar-se da família.
Javier Elzo, catedrático emérito de sociologia na Universidade de Deusto e presidente do Fórum Deusto, diz que o fato mais evidente e comprovado é que há um prolongamento do hábitat dos adolescentes e jovens no domicílio familiar até extremos incríveis. E a Espanha tem uma das porcentagens mais baixas de emancipação familiar. As principais razões são a carestia da habitação, que torna a emancipação complicada, e em segundo lugar o caráter precário do trabalho.Outra característica dos adolescentes atuais é o presentismo, ou seja, querer tudo já, imediatamente. É um fato que a maturidade está se retardando, "mas também encontramos jovens menores de 20 anos extremamente maduros, que são os que diante da dificuldade de encontrar o ninho familiar vazio [pais com pouca presença], por razões fortuitas ou não, começaram a assumir seu destino muito antes do que teríamos feito em nossa geração".As transformações sociais e familiares das últimas décadas fizeram, segundo Elzo, que os adolescentes e jovens que Eduardo Verdú batizou em um livro de "adultescentes" decidissem ficar em casa fazendo o que querem - "esses são os Peter Pan, os que saíram de casa ficando. É evidente que há um problema muito sério de referências".Pais "desorientados"Para Elzo está claro que existe um problema de falta de referências nos pais, embora considere que os que estão mais desorientados são os próprios pais: "Qual é o modelo que pode ter uma pessoa de 40 anos? Seu pai não serve porque lhes dizem que é um antiquado, de outra época, que tem outra forma de ver as coisas; não se deve esquecer que os pais dos adolescentes de hoje são os que fizeram a transição espanhola, e neste momento muitos deles não sabem o que fazer com seus filhos".Com a incorporação das mulheres ao trabalho, acrescenta o sociólogo, os filhos vivem em um ninho vazio, "e encontramos jovens com precariedade psicológica. Como vão sair de casa se seus pais os consideram muito crianças? Mudam, isso sim, quando chega seu primeiro filho e têm de pagar a hipoteca", afirma Elzo. Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Visite o site do El País
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Comentário: É um texto parapensar as atitudes de muitos políticos. Ser Laranja, por exemplo, é uma atitude infantil. O dono do laranjal também é uma criança; brinca de política. E por aí, temos um creche de terceira idade.

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Poizé!


Salve, Sponholz!











Nunca dantas ne$$e país


do Blog de Roberto Romano

Versos ruins, boas razões...

Seção de correspondências do leitor, Correio Popular de Campinas, 17/07/2008

Solta e agarra

Flávio de Azevedo Levy, Engenheiro agrônomo, Campinas

Este juiz sem juízo/ diz que não há prejuízo/ na liberdade de Dantas./ Subornar um delegado,/ é coisa que magistrado/ não dá qualquer importância./ Agora em liberdade/ vai corromper a verdade/ com o poder de sua grana./ E alimentando o povo,/ o que é que temos de novo?/ um "supremo" de banana!

Bótimo! Na Má-ringa!

Noooofa! na Má-ringa a coisa tá fervendo! A campanha para prefeito e vereadores nem bem começou e a turbulência já aportou na cidade. Será bem divertida a campanha! Não sobrará noticia aos blogues. UAU!
Vejam RIGON
Messias Mendes
Notícias da Provincia
Wilson Rezende

Vixe! Má-ringa na rota dos fichas...


Do Blog do RIGON

Os impugnados em Maringá
Estes são os candidatos contra os quais o Ministério Público Eleitoral de Maringá apresentou impugnação:
Silvio Barros II (PP), Claudemir Romancini (PSol) e Rogério Mello (PT do B), que pretendem disputar a prefeitura;
os atuais vereadores Altamir dos Santos (PR), Belino Bravin (PP), Dorival Dias (PSDB), Odair Fogueteiro (PTB), Marly Martin (DEM), Zebrão (PP), Edith Dias (PP), Márcia Socreppa (PSDB), Mário Hossokawa (PMDB), Chico Caiana (PTB), Valter Viana (PHS), John Alves Correa (PMDB) e o ex-vereador Umberto Crispim (PMDB).
Bancadas inteiras foram impugnadas (PMDB, PTB, DEM, PP, PHS, PSDB e PTB). Da atual legislatura, de 15 cadeiras, apenas os dois vereadores do PT - Humberto Henrique e Mário Verri - não sofreram impugnação. Walter Guerlles (PR) não disputa a reeleição.
A promotora Stella Maris Sant´Anna Ferreira Pinheiro alegou "depuração ética" como justificativa para a maioria das impugnações (aí incluídas condenações por improbidade administrativa), além de condenação penal. O ex-veredor Crispim foi impugnado por ter recebido, em legislatura anterior, o chamado 13º salário.
PS - Peninha: a CBN, que travou bonita briga com os vereadores, ignorou o assunto em seu programa da tarde. Amanhã, como já havia antecipado, Pinga Fogo também vai omitir a informação em seus programas de rádio e televisão.
PS2 - O nome de Maurílio Alves dos Santos (seria aquele que tem problema antigo com a Sanepar?) surgiu agora à tarde na relação dos pedidos de impugnação feitos pelo MP.

Resumo da ópera

É vero, Acir!

DEMOS-cratas

Do Blog Contra o Vento
Como dizem os catarinenses, “trocar PFL para DEM é mole, difícil é fazer o Bornhausen virar democrata”.

Não é laranja, é tangerina!


Do Blog do RIGON, na Má-ringa

Discurso afinado
Rogério Mello, do PT do B, disse em entrevista a Andye Iore, no Hoje Notícias de ontem, que não é laranja. Repete o discurso que dr. Batista fez na convenção que escolheu o candidato do PMN.Dr. Batista sabe quem o chamou de laranja - foi um deputado, conversando com outro deputado -, mas até agora não o desmentiu publicamente.Quem conhece a história política de Maringá sabe que esse negócio de laranjal começou na gestão Ricardo Barros (PFL), com partidos como o PL e o finado PRN.
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Comentário: Fico imaginando este pessoal no divã do Freud. Nanismo afetivo? Ressentimento? O que faz alguém ser suporte e subalterno do Outro?

Hoje eu acordei assim...


Fim das férias. Putz!

Dino lisa


Poizé!


Depois do dantas, esperando mais um....


Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Ouvir argumentações diferentes é saudável!

Salve, ministro Brossard! por Orlando Tambosi, de Florianópolis
Lembro da palestra do então senador Paulo Brossard, em meados dos anos 70, quando eu ainda freqüentava a faculdade de Direito da UFSC, em Florianópolis. Ele era um dos grandes críticos da ditadura militar. Sempre com seu chapéu panamá, empolgava a platéia com sua dicção claríssima e pontual. Fico feliz em ver que, octogenário, critica agora os excessos do governo lulista, legítimo filhote da ditadura que todos combatíamos.
Surrupio a entrevista da Folha (conduzida por Graciliano Rocha, da agência Folha em Porto Alegre) na íntegra:
EX-MINISTRO do STF (Supremo Tribunal Federal), ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ex-ministro da Justiça (governo Sarney), o jurista gaúcho Paulo Brossard de Souza Pinto, 83, afirma que a exposição de suspeitos em operações da Polícia Federal é "abuso" e fere o princípio da presunção da inocência. O ex-ministro sustenta que algemas só devam ser usadas em suspeitos com possibilidade real de fuga ou de resistência. Fora disso, é "agressão gratuita". "Está havendo uma tolerância com o abuso", critica ele.
Segundo Brossard, o uso disseminado de grampos telefônicos em investigações indica um resquício de autoritarismo, "que destruiu o conceito de legalidade". Para ele, os juízes erram ao permitir que a quebra de sigilo seja regra. "O uso do poder é um convite ao excesso." Embora tenha evitado comentar detalhes da polêmica envolvendo a prisão e a liberação do banqueiro Daniel Dantas, Brossard afirma que a disputa entre instâncias do Judiciário abriu uma crise inédita e de conseqüências imprevisíveis para o Poder.
FOLHA - O sr. é um crítico da chamada "espetacularização" das ações da PF. O que há de errado?
PAULO BROSSARD - Há alguns fatos que estão acontecendo que são inequivocamente graves e também inéditos. De tudo que vem acontecendo, uma das coisas mais importantes que foram ditas pelo presidente do STF [Gilmar Mendes] é que o país está atravessando uma fase policialesca. A expressão, embora forte, é verdadeira. Pelo menos é verossímil. A interferência policial, sendo legítima, tudo bem, porque a polícia existe é para isso. Quando existe uma infração que se apresenta com a natureza penal, aí é obrigação, não é favor. O que me chama a atenção, ao mesmo tempo, é que está havendo uma tolerância com o abuso.
FOLHA - Que tipo de abuso pela PF?
BROSSARD - Se eu, amanhã, exercendo uma autoridade legal, me deparasse com uma situação em que o meu dever é prender alguém, eu não hesitaria, mas prenderia com a finalidade de chegar ao resultado mais útil com o menor dano.Uma coisa é prender uma pessoa condenada com uma pena a cumprir, onde não há uma necessidade de discrição. Agora, quando se trata de suposição de um crime, a conduta há de ser diferente, há de se levar em conta o que a Constituição estabeleceu, há de se levar em conta o patrimônio da humanidade. O que estou notando agora é que está se perdendo o apreço por essas garantias.
FOLHA - A prisão provisória não é um instrumento adequado para garantir que suspeitos, por exemplo, não destruam provas?
BROSSARD - A prisão provisória é legítima, desde que haja a observância daquelas regras que não são de agora. Para quê algemas? Haverá casos em que será necessário. Há casos em que há verdadeiros artistas em se evadir, neste caso a prudência recomenda as algemas. Mas há casos aí de pessoas em idade avançada, que não têm condições de correr. Algemar uma pessoa dessas é agressão gratuita. E para quê? Só para humilhar. Isso é estúpido e brutal.Fotografar, filmar e publicar é para achincalhar uma pessoa que pode ser autora de grandes responsabilidades ou não.Agora, num critério utilitário, o que é que isso ajuda? A Constituição garante ao preso, o preso condenado, que seja preservado na sua integridade física e moral. Então imagine aquele que está sendo preso porque está sendo investigado, porque há uma dúvida. Isso é um índice de falta de critério, quem parte daí não tem limites.
FOLHA - Quem está sendo tolerante com o abuso?
BROSSARD - É difícil dizer, são todos e não é ninguém. A sociedade se compõe de mil parcelas e não existe uma expressão adequada. Isso me impressiona vivamente. Por maiores que sejam os indícios, a pessoa que não é condenada deve ser considerada inocente. A presunção de inocência é uma norma de validade universal, salvo naturalmente naqueles países que ainda vegetam em tiranias. Estamos vivendo aqui um período de investigação judicial. Hoje não se faz uma investigação policial sem recorrer a [quebra de] sigilo. Isso não é normal. Haverá casos que será justificável, é por isso que se tem que requerer a um juiz e o juiz pode conceder ou não. Em geral, concede-se. Agora, isso não pode ser regra, porque é perigoso.
FOLHA - Mas os juízes aprovam quebras de sigilos depois que lhes são apresentados indícios.